Nuno A.Madeira, arquiteto, designer e fotógrafo 360°, em sua segunda visita a Nova York, com uma câmera Canon 1000D e usando seu corpo como tripé, teve uma visão e tentou captar o realismo de algumas situações cômicas, da atmosfera e da vida da cidade. Depois que descobri seu trabalho, entrei e contato e ele gentilmente cedeu a entrevista a seguir.

No site do projeto você diz que “de repente o tempo parou, foi como juntar milhares de imagens guardadas em minha mente em um único momento,” Você lembra em que ponto exato da cidade isso aconteceu?

Quando cheguei de comboio [trem] à Penn Station fiquei um bocado confuso com as milhares de sinalécticas [placas]. Pensei que precisava de apanhar outra estação para Madison Square Garden. Vi uma direção para lá e dei para um género de beco sem saída com uma cobertura que me impedia de saber onde estava, fui em direção a algumas pessoas a passar numa rua, era a minha moldura visual, não tinha noção espacial onde estava.

De repente, como foi como tirar uma venda dos olhos, foi um impacto de tal forma que o tempo parou, ou talvez nunca me senti tanto no presente como naquele dia. Foi o imaginário de visões de expectativas soltas que se juntaram numa só. É a energia no seu expoente máximo, acontece quando vemos interagimos com algo novo e não conseguimos controlar o que se passa. Aconselho a todas as pessoas a irem de comboio[trem] do aeroporto para a cidade.

Na sua segunda visita você diz “que caminhava com sua primeira câmera, uma Canon 1000D”. Você já estava com a idéia do projeto New York 360 na sua cabeça ou simplesmente resolveu capturar os momentos da cidade?

Não me ocorreu ideia nenhuma, não levei tripé nem computador, estava de férias. Em 2010 comecei a fazer os meus primeiros projectos comerciais 360º e levei a Canon 1000D e a fisheye Tokina 10-17. Não levei outra lente. Apenas na segunda vez que visitei a cidade tive oportunidade em capturar em 360 mas de modo completamente experimental. No momento em que caminhava via uma realidade que não era mostrada, fora das imagens cinematográficas que usualmente vemos. Acabei por me conectar ao ambiente à minha volta e tentei captura-lo da maneira mais realista possível. Pensei que não iria conseguir juntar as fotos, e que iam ser muitas fotos para o lixo, sem tripé existe grande probabilidade de partes do cenário não serem apanhadas. A rotação com os pés em ângulos imaginários e o meu corpo a ser o “eixo da lente” não me assegurava nada.  Quando cheguei a Portugal e comecei a montar as primeiras, vi que conseguia ligar as imagens embora todas completamente cheio de erros. O trabalho árduo começou aqui. Após ter finalizado umas 10 imagens, vi que tinha algo especial e tinha que completar a missão.

O que o inspirou a realizar esse projeto?

Partilhar a realidade e momentos vividos na cidade com os outros, de uma forma completamente natural e espontânea.

Qual das fotos que mais o marcou? Se tiver mais de uma, por favor diga.

“Central Park – The Lake”. Central Park é o pulmão da cidade. Aquela vista do lago é algo escondido e fora do percurso pedonal do parque. Reparei naquele sr. que estava completamente ausente de tudo o que se passava à sua volta, nem deu por mim ou talvez nem o grupo que estava atrás. Era ele, o lago e o edifício com duas torres. Essa centralidade com o edifício dava um certo norte. Acho que o Central Park é para isso mesmo, para nos encontrar-nos.

©Nuno A. Madeira – Reproduzida sob permissão do autor

A “Brooklyn Bridge – Evening Light” é uma delas. Estar na altura do pôr do sol nesta ponte é algo mágico. Captei uma pessoa introspectiva sentada a olhar para o infinito. Transmitia uma desilusão ou desistência, gostava de ter-lhe dado uma palavra, mas percebi que era um momento de silêncio interno. Lembro-me que surgio no momento o pensamento de que o amanhã pode ser re-inventado sob uma nova luz.

©Nuno A. Madeira – Reproduzida sob permissão do autor

Todas fotos foram tiradas durante sua segunda visita?

Sim todas.

Você pensa em voltar a Nova York para tirar mais fotos e dar continuidade ao projeto?

Não, é um projecto de uma história com principio, meio e fim de forma visual. Colocar outras fotos ali de uma viagem feita agora, não faria sentido. O ambiente e a atmosfera não seria o mesmo. A minha intenção não foi fazer um projecto comercial, embora já tenha sido abordado para colocação de publicidade e um convite de 2 hotéis de NY, que pagaria as viagens feitas até lá, mas recusei. Este projecto tem um valor incalculável. Talvez se fosse outro aproveitaria. New York é também um cartão de visita dos meus skills como Fotógrafo com uma máquina entry level (risos), UI/WEB designer. Prefiro que me contactem para novos trabalhos.

Você sente que seu projeto está causando repercussão mundo afora?

Não tenho noção, ouve um momento em que estavam 600 pessoas ao mesmo tempo no site através do google analytics, um bocado assustador confesso. No momento em que um projeto sai do nosso controlo de divulgação é difícil prever que impacto poderá ter. Tenho tido centenas de pessoas que perguntam dados técnicos, o processo, o look das fotos e o agrado com o trabalho.

Você acredita que sua visita a Nova York o marcou de forma que algo mudou radicalmente na sua vida? O que mudou?

Os Estados Unidos para quem vem do velho continente é bastante diferente, acima de tudo no planeamento das cidades e arquitectura. Como Arquitecto senti bastante isso. Não tive apenas em New York, estive também em Philadelphia, Washington D.C. e Baltimore e em uma pequena vila portuária Annapolis, o que me deu uma visão mais abrangente da atmosfera e lifestyle. A minha visão ampliou-se grandemente e trouxe grande inspiração para os meus trabalhos posteriores. Em publicidade os americanos são bastante agressivos na forma de comunicar. Gosto do espírito americano e o pragmatismo da maneira de pensar por aqueles que convivi. Toda esta experiência leva a questionar-me e adicionar novas formas de pensar. A escala de tempo obriga a isso e foi talvez o que mais me influenciou. Não se pode parar. Foram eles que foram à lua, ou pelo menos dizem…(Risos)

Nuno A. Madeira por Rita Nunes - Fotografia panoramica 360
Nuno A. Madeira por Rita Nunes

O resultado dos trabalhos de Nuno em Nova York podem ser conferidos no website do projeto Walk, Stop, Shoot – New York 360°. Mais trabalhos podem ser conferidos em http://panoramica360.pt/Dica: vejam um site em um tablet e surpreenda-se!!

O meu muito obrigado a Nuno A. Madeira por ceder os códigos de exibição das fotografias panorâmicas exibidas nesse artigo.

Todas as fotos neste post foram publicadas sob permissão dos autores.

 

http://nyc.helvecio.com/wp-content/uploads/2013/05/ny360-home-1024x746.jpghttp://nyc.helvecio.com/wp-content/uploads/2013/05/ny360-home-150x150.jpgHelvécioAlém de Nova Yorkum olhar de foraNuno A.Madeira, arquiteto, designer e fotógrafo 360°, em sua segunda visita a Nova York, com uma câmera Canon 1000D e usando seu corpo como tripé, teve uma visão e tentou captar o realismo de algumas situações cômicas, da atmosfera e da vida da cidade. Depois que descobri seu trabalho,...Nova York vista de longe